__________ Itapema, suas histórias... __________

sábado, 10 de dezembro de 2011

NOS TEMPOS DOS REGATAS NO ITAPEMA

REMADORES NO LARGO DE CANEÚ [1902].

Nas últimas décadas do século XIX há um crescente interesse pela prática esportiva, impulsionada pela valorização do chamado "espírito olímpico". Em que o esporte é traduzido como signo de uma sociedade que enaltece os desafios, as conquistas, as vitórias, o esforço individual. Aqui no Brasil isso tem reflexo com o surgimento de agremiações de algumas modalidades desportivas.
A vida na região (litoral paulista), de certo modo, sempre esteve condicionada a atividade marítima. Seja pelo Porto, pela pesca de subsistência ou o turismo implementado nas estâncias balneárias. Foi desta relação que surgiu um dos primeiros esportes praticados pelas cidades litorâneas, o Remo. Para reviver a fabulosa trajetória da modalidade, é preciso voltar ao final do referido século, com a fundação dos primeiros clubes de regatas.
Como o cotidiano da cidade de Santos à época localizava-se no antigo centro comercial e residencial, portanto acontecia junto ao Porto, no Lagamar de Enguaguassú, alguns clubes náuticos desenvolveram-se nessas margens. Sobretudo na margem esquerda, em Itapema, do outro lado do estuário (atual Distrito de Vicente de Carvalho). Bem como pela facilidade do transporte dos barcos e dos remadores que vinham do planalto paulista através da Estrada de Ferro São Paulo Railway, competir nas raias do Largo de Caneú. Tais competições representavam grandes acontecimentos.
 À ESQUERDA O LARGO DE CANEÚ [ANOS 20], ONDE REALIZAVAM-SE AS REGATAS. AO FUNDO ITAPEMA.

Rapidamente o desporto ganha prestígio, os esportistas da época eram jovens de várias camadas sociais e comerciais. Sendo alguns do alto-comércio cafeeiro local, os quais aos domingos dedicavam-se quase que exclusivamente ao Remo, no único clube náutico existente: o Clube de Regatas Santista. O primeiro a ser fundado no estado de São Paulo, por descendentes de portugueses, com instalações (sede náutica e social) na Bocaina (Itapema).
ATUAL REGIÃO DA BOCAINA NA MARGEM ESQUERDA, LOCAL DAS ANTIGAS INSTALAÇÕES DOS CLUBES DE REGATAS.

O "Azulão" [bandeira ao lado] proveio da fusão de duas outras sociedades náuticas, Clube Nacional de Regatas e do 1º 'Clube Internacional de Regatas'. Suas raízes vêm provavelmente de 1887 e de 1890 quando existiam estes clubes, consagrando-o como o segundo mais antigo do Brasil. Essa aliança ocorreu em 03 de Abril de 1893. Como dirigente dos trabalhos da reunião o Sr. Olegário Rocha sustentou a necessidade da fusão, e nova denominação, 'Clube de Regatas Santista'.
 SÓCIOS, CONVIDADOS E ESPORTISTAS DO CLUBE DE REGATAS SANTISTA [02 DE NOVEMBRO DE 1901], NA SEDE DA BOCAINA (ITAPEMA).

Sua primeira Diretoria teve a seguinte constituição: Abraão Bitton (Presidente). Arthur Skey (Vice), Manuel da Costa Oliveira e Charles Wright (Tesoureiros), Joaquim Lopes Gouveia e João Ribeiro (Secretários), Domingos L. A. Rendo, José Maria Queirós Matos, Manuel de Carvalho Osório A. P. Lopes Arpuca, Serafim Pereira da Silva, Augusto Fonseca, Domingos Peixoto e Júlio César da Silva (Diretores zeladores).
O Clube de Regatas Santista participou de diversas competições e conseguiu muitos títulos, promoveu campeonatos, bem como provas e fez grandes remadores, entre eles, Edgard Perdigão.
Em competições oficiais conquistou as seguintes provas:
1908/1915/1919 (Prova Clássica Associação Protetora dos Homens do Mar), 1909/1914 (Prova Clássica S. R. São Paulo), 1910/1917/1921/1922 (Taça Câmara Municipal de Santos),  1911 (Campeonato do Remo do Estado de São Paulo), 1912/1913/1915/1917/1919 (Campeonato paulista de Remo), 1929 (Prova Dr. Inácio Tavares Guimarães), 1934 (Campeão Paulista).
No dia 18 de Novembro de 1934, no Largo do Caneú, o auterrigue a 2 com patrão, "Santinho", levantava o Campeonato Brasileiro, com Luís Ubaldo Gonçalves (Tim), Dino Romiti e Davi Martins (Índio), como tripulantes.
Assolado pela crise no esporte, econômica, mudança da área residencial e veraneio da vizinha Santos para a Ponta da Praia, o "Azulão" transferiu sua sede náutica do Itapema em 1943.
A BELA SEDE DO CLUBE DE REGATAS SANTISTA [1928] EM ITAPEMA/SP (HOJE DISTRITO DE VICENTE DE CARVALHO).

Ainda no longínquo 1898, devido à divergências na condução do Clube de Regatas Santista e objetivos futuros, por não concordarem com a Direção, um grupo de 36 jovens idealistas (antigos funcionários da Firma Naumann Gepp & Cia.) resolveram após várias reuniões preliminares fundar uma nova agremiação esportiva e social.







Assim, às 19:30h de 24 de Maio de 1898, reuniram-se em Assembléia Geral, concretizando suas intenções, criou-se então o Clube Internacional de Regatas [bandeira acima], com presidência de João Scott Hayden Barbosa. O que veio a criar séria rivalidade esportiva entre os clubes náuticos. Pode-se dizer, que foi um processo de desfusão, com nova fundação do CIR, noutros termos.
A primeira Diretoria foi assim formada: João Scott Hayden Barbosa (Presidente), Palemon Cândido Gomes (Vice), Mário Moraes e Henrique Jayme de Mello (Secretários), Manoel Martins de Oliveira (Tesoureiro), Arthur Campos de Camargo, João Martins Peixoto, Henrique Tross, David Ferreira e Marcelino Campos (Diretores).
"Já no dia 29, durante a primeira reunião da Diretoria, o fundador Henrique Tross ofereceu seus serviços como intermediário para solicitar, ao gerente da Firma Wilson Sons & Co., permissão para a construção de um barracão no terreno daquela sociedade, no lugar denominado Itapema, junto ao Forte de Vera Cruz, onde a referida Firma já tinha um trapiche.
Como a resposta delongou-se, desinteressaram-se do negócio..." - Relata Alvaro Corrêa, no seu livro 'A História do Clube Internacional de Regatas', vol I, de 1982.
  ANTIGO ARMAZÉM DA WILSON SONS & CO., NO TERRENO ATRÁS DO FORTE DE ITAPEMA, PRIMEIRAMENTE INTENCIONADOS PARA ABRIGAR A SEDE DO CIR.

Encontraram, ainda no Itapema, um outro lugar. O local escolhido junto ao mar foi lá pelas bandas da Bocaina, contíguo ao clube do qual haviam se desligado (CRS). O lugar era bastante pitoresco (mais para o Largo de Santa Rita). Adquirido por R$ 1.500$000, de Ignácio José de Lara, com algumas construções: um barracão acanhado para guarda dos barcos, um chalé para recreio dos sócios e um outro barracão, onde instalaram a oficina de reparos das embarcações.
Foram também adquiridos duas canoas (Cecy e Pery) a 2 remos, uma guiga de corrida (Iracema) a 4 remos, um escaler para passeio de sócios (24 de Maio) e dois escaleres de corrida (Tapuia e Guaianás) a 4 remos. Repare que o Clube Internacional de Regatas tinha por princípio batizar os seus barcos com nomes típicamente nacionais, indígenas. Para melhor funcionamento do Clube e acomodações dos sócios foram adquiridos aparelhos de ginástica, bolas, mesas, cadeiras austríacas, bandeiras e outros utensílios.
No mesmo ano de fundação o CIR participa da primeira regata, atendendo ao convite formulado pela Diretoria do CRS, quando alinharam suas embarcações no Largo de Caneú.


O segundo Presidente, Theodorico de Almeida, foi eleito em 1899, com mandato de um ano. Em 24 de Maio de 1899, comemorando um ano de fundação, foi realizada uma competição de Remo, no Lagamar de Caneú, com sessão solene e participação de autoridades e damas da sociedade local. O grande comparecimento de personalidades deveu-se, principalmente, ao grande prestígio social e esportivo dos seus fundadores e novos sócios, alguns integrados às colônias inglesa e alemã.
REGATA DE 1899, NO LARGO DE CANEÚ, RETRATADA POR BENEDITO CALIXTO.
ÀS MARGENS DO ITAPEMA, O PÚBLICO PODIA CONTEMPLAR O DESENROLAR DOS EVENTOS.

Em Julho de 1899 são vendidos, o terreno e benfeitorias das instalações na Bocaina, o Clube desloca-se para o seu lugar de origem e administrativo, a cidade de Santos. Primeiro para um Armazém ao lado do Porto (Valongo) e logo após, em Fevereiro de 1900 (sob a presidência de Henrique Jayme de Mello) para a entrada da Barra Grande (Ponta da Praia).
Contudo, a permanência nessa nova área durou pouco, apesar da boa presença inicial dos associados, movimentação constante de esportistas do CIR e aquisição de novas embarcações para a sua flotilha (Aygara, Jandyra, Jacy e Ivahy). Pois a vida citadina daquela época ocorria intensamente junto ao cais do Porto, pros lados do Lagamar de Enguaguassú. Acrescente-se a isso o endividamento financeiro e uma notável queda na frequência à sede náutica, devido o acesso sempre difícil as instalações do Clube.

[ao lado uma das primeiras Diretorias do CIR.]


Em Janeiro de 1901, o Presidente Manoel Martins de Oliveira, adquiriu um pequeno terreno, de 25X50 metros, no bairro Pae-Cará, hoje Distrito de Vicente de Carvalho, por dois contos de réis, da Sra. Marques Leite. Dinheiro emprestado pelo Presidente ao Clube Internacional de Regatas, sem juros. Esse terreno, alguns anos mais tarde seria a célula mater da saudosa e bela sede do 'Gigante do Itapema'.
Seu substituto na Presidência, Elias Teixeira da Fonseca conclui outra transação e inaugura, quatro anos após a fundação, no dia 25 de Maio de 1902, a nova sede. Um grande armazém alugado da Firma Wilson Sons & Co., por R$100$000 mensais, localizado ao lado do Forte de Vera Cruz, no bairro Itapema. O Forte abandonado pelo Governo foi solicitado para uso do Clube, a negativa veio rápida e taxativa. Todavia, devido à grande proximidade, os associados o usavam constantemente, ainda que desautorizados pela Diretoria.
 SEDE ALUGADA DO CLUBE INTERNACIONAL DE REGATAS, NO TERRENO ATRÁS DO FORTE DE ITAPEMA [1902].
O FORTE DE ITAPEMA [1902] CONTÍGUO AS INSTALAÇÕES DO CIR.
SÓCIOS DO CLUBE INTERNACIONAL DE REGATAS VISITAM AS DEPENDÊNCIAS DO FORTE DE ITAPEMA.
A festa de inauguração foi muito concorrida, com mais de uma centena de pessoas. Na ocasião abrilhantou as festividades a Banda S.M. Colonial Portuguesa, executando inúmeros dobrados, música em voga naqueles tempos. Houve ainda, arrecadação beneficente para o Asilo de Órfãos. Também neste ano o Clube Internacional de Regatas conquistou sua primeira grande vitória, quando a equipe de Remo derrotou o CRS, rival e campeão santista.
Mesmo considerando ser a permanência do CIR no local provisória, a Diretoria não mede esforços e adquire 4 novas embarcações para o esporte do Remo, sendo 2 yoles a 8 remos e 2 yoles a 4 remos, batizados conforme a tradição: Jacy, Pery, Pirahy e Pirajá.
As regatas, assim como as reuniões esportivas dominicais continuavam com grande animação e concorrência, mas notava-se que a mudança não deveria tardar. Era imperioso que a sede se localizasse em terreno próprio, não alugado.

Em 1905, resolvera o Ministério da Fazenda criar um Posto Fiscal e instalar um holofote no Forte de Itapema para orientação e fiscalização do Porto. Para tanto, comprou da Firma Wilson Sons & Co. o armazém onde estava instalada a garagem de barcos ou seja, a sede social do Clube. Como o contrato do CIR com a Wilson Sons estava vencido, foi o mesmo instado a desocupar o local.
Tal situação crítica exigiu da Diretoria e seu Presidente Jorge de Sá Rocha dispendiosos esforços, todos os sócios são incitados a colaborar monetariamente. O terreno do Pae Cará (25X50), anteriormente adquirido da viúva Marques Leite, era insuficiente para a construção da obra programada. Assim comprou-se da mesma outorgante, mais 15 metros de frente para o mar por 100 metros de fundos, bem como o complemento da compra anterior para 100 metros de fundos. Adquiriu ainda, mais 16 metros de frente por 100 metros de fundos, de Martinho dos Santos. Finalmente arrendou, a título gracioso, com preferência de compra, da primeira vendedora, mais 100 metros de frente por 100 metros de fundos (adquiridos definitivamente em 1908).
Desse modo, o Clube Internacional de Regatas dispunha naquela ocasião, de 156 metros de terreno de frente para o mar por 100 metros de fundos. O valor total das aquisições foi de R$29:197$700, quantia elevadíssima para à época.
DESENHO DA SEDE PRÓPRIA DO CIR CONSTRUÍDA NO TERRENO ADQUIRIDO NO PAE CARÁ - ITAPEMA/SP.

Efetuou-se então, numa frente de 45 metros por 100 metros de fundos, o roçamento, destocamento, drenagem com a escavação de 245 metros de valas, aterramento da gleba, bem como a construção de cêrcas, cais de pedra e cimento (com 1,80 de altura), de duas pontes, uma central inclinada, que dava acesso mesmo nas marés mais baixas a qualquer embarcação, com linhas de trilhos no centro, e outra plana destinada à descarga de materiais e víveres. Dando atracação, mesmo nas marés baixas, às chatas carregadeiras, todas em madeira de lei, sendo que as estacas foram forradas de chapas de cobre para evitar apodrecimento. Os restantes 111 metros foram roçados, valados e cercados.
 ATRACADOURO DO CLUBE INTERNACIONAL DE REGATAS EM ITAPEMA [DÉCADA DE 1900].
PONTE INCLINADA COM TRILHOS PARA REBOQUE DAS EMBARCAÇÕES DO CIR (ITAPEMA/SP).

No dia 23 de Setembro de 1906, o novo Edifício-garagem era solenemente inaugurado, juntamente com o mastro marítimo à sua frente e hasteamento das bandeiras nacionais e do CIR.
Entretanto, se fazia necessário melhorias, construir novos prédios, equipamentos para atendimento adequado dos sócios, cada vez em maior número. Era o Clube com maior número de associados entre os seus co-irmãos. Mediante empréstimos pessoais e bancários, além de mutirões domingueiros procedeu-se a complementação de aterro, drenagem, cercamento. Todas essas obras eram imprescendíveis, em virtude das condições de solo do terreno.
 EDIFÍCIO-GARAGEM DOS BARCOS (1906) DO CLUBE INTERNACIONAL DE REGATAS [ITAPEMA/SP].

A sede social do Itapema estava equipada com garagem de barcos, bangalô para festas, dependências administrativas, campo de futebol, quadras de croquet e basquete, sessenta embarcações, Remo, Esgrima e plataforma para saltos em trampolim.
O BANGALÔ (1926) UTILIZADO PARA FESTAS E EVENTOS DO CIR [ITAPEMA/SP].
DEPENDÊNCIAS DO CLUBE INTERNACIONAL DE REGATAS [ITAPEMA/SP].
A MOVIMENTADA E AGRADÁVEL SEDE DO CIR EM ITAPEMA/SP.
PLATAFORMA PARA SALTOS DO CLUBE INTERNACIONAL DE REGATAS ÀS MARGENS DO ITAPEMA/SP.








No Largo de Caneú os Remadores do Clube Internacional de Regatas conseguiram importantes vitórias. Dentre tantas citamos a Taça Câmara Municipal de Santos, conquistada em 1913, 1914, 1916.
Pesquisa realizada por Ary Moraes Giani revela que em Maio de 1926, o CIR, na sua sede do Pai Cará (Itapema/SP), havia ali uma quadra, proporcionou à região o primeiro jogo de basquetebol.
EQUIPE DE REMO DO CLUBE INTERNACIONAL DE REGATAS [1902].
REMADORES DO CIR SINGRAM ÀS ÁGUAS DEFRONTE A SEDE NO ITAPEMA/SP.
REMADORES DO CIR, NO ITAPEMA: MARCIAL RIBEIRO DOS SANTOS, ALFREDO KLINKERT, MÁRIO SEIFERT, ARNALDO PINTO DE SOUZA E O PATRÃO GRACHO.
GRUPO DE ESPORTISTAS DO CLUBE INTERNACIONAL DE REGATAS EM 1915.

[Região atual onde ficavam as antigas instalações do CIR.]

Em virtude da expansão da cidade santista, agora em direção às praias, com acesso facilitado através de bondes elétricos à Ponta da Praia, o Clube se vê premido pelas mudanças dos hábitos, além de dificuldades administrativas. No dia 5 de Abril de 1937, a sede social é vendida a Cia. Docas de Santos pelo valor de R$350.000$000.
Nos fins de semana, além das competições, os clubes náuticos promoviam eventos diversos (bailes passeios, shows etc) altamente concorridos. As festas realizadas pelo Clube  Internacional de Regatas eram famosas e marcaram época nos anais sociais e esportivos, com o comparecimento de grande número de associados e convidados, todos muito bem vestidos, que dançavam ao som de orquestra, onde predominavam os instrumentos de corda. O serviço de "buffet" era totalmente gratuito e farto.
   TORCIDA DO CIR EM REGATA DE 1913 A BORDO DA BARCA PAQUETÁ.
PASSEIO NO ESCALER 'RIO AVE', DO CLUBE DE REGATAS SANTISTA, EM 02/12/1901.
MEMBROS DO CLUBE INTERNACIONAL DE REGATAS VISITAM AS DEPENDÊNCIAS DO FORTE DE ITAPEMA [ANOS DE 1900]. 
  
Conforme registro no 'Almanaque de Santos', 1972, pag. 124, o famoso conjunto musical "Os 8 Batutas", em Junho de 1925, abrilhantou a festa do Clube de Regatas Santista, na sede da Bocaina (Itapema/SP). Desse célebre grupo, o primeiro a levar a música brasileira à Paris (1921 - 22), faziam parte: João da Baiana, Donga (criador do primeiro samba gravado, 'Pelo Telefone') e Pixinguinha um dos nomes mais expressivos da música nacional.
DIA DE PIQUENIQUE NA SEDE DA BOCAINA, DO CLUBE DE REGATAS SANTISTA, EM JANEIRO DE 1902 [ITAPEMA/SP].
DIA DE FESTA (1919) NAS DEPENDÊNCIAS DO CLUBE INTERNACIONAL DE REGATAS, NO PAE CARÁ [ITAPEMA/SP].
DIPLOMA OFERECIDO PELO CIR, O DETALHE É A REFERÊNCIA AO CLUBE DE REGATAS SANTISTA NO DESENHO.

A partir de 1930, a crise econômica do café atingiu o Remo, um esporte caro e um tanto elitizado, que também foi perdendo espaço para outras modalidades, futebol, atletismo, basquete, vôlei, etc. As regatas passaram a ser realizadas em datas comemorativas, até que dimiuíram consideravelmente. Levando essas agremiações a se remodelarem em sua cidade natal.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

ITAPEMA, a praça é nossa!

VICENTE DE CARVALHO EM BUSCA DE SUA IDENTIDADE URBANA.

As praças toda vida me entusiasmaram. Pelos monumentos ali colocados. Por serem o poético espaço do povo. A municipalidade santoamarense deveria cuidar melhor desses nichos de convivência em nossa cidade. Refiro-me, num primeiro momento, à Praça 14-BIS e a rejeitada Praça da Fraternidade. Ainda que outras vão surgindo sem identidade definida.
Inaugurada em meados da década de 1960, a Praça 14-BIS sempre foi o ponto de referência como lugar de encontro coletivo do itapemense, dado a sua localização central. Homenagem ao "Pai da Aviação", que provavelmente teria cruzado essas terras a bordo da Maria Fumaça em direção a Estância Balneária, bem como o fato do Distrito sediar uma Base Aérea. Chamada pelos moradores mais antigos de 'Praça da Alegria', devido a visita da caravana artística animada pelo apresentador Silvio Santos e por Carlos de Nóbrega. Conforme o popular recente, alguns referem-se a ela simplesmente como, "Pracinha".
Antes disso, fora um pequeno bosque nativo remanescente da Restinga, no centro do Itapema, incrustado entre a Vila Pai-Cará, Vila Alice e Parque Estuário.
PRAÇA 14-BIS - BAIRRO VILA ALICE - CENTRO DE ITAPEMA/SP [2011].





Ao decorrer dos anos passou por diversas alterações urbanísticas [detalhe da imagem acima]. Possuiu noutros tempos, coreto, chafariz, auditório aberto, púlpito, tudo destruído pela imperícia de desastrados arquitetos. Havia ainda na praça, o Busto de Santos Dumont subtraído do seu logradouro característico numa dessas reformas, após certo abandono. Tais intervenções da municipalidade são dissonantes com os anseios reais dos munícipes.
"(...)Adorei saber que a Prefeitura vai reformar este local que há muito tempo pede por melhorias. A Praça é um local de encontro, principalmente para os idosos e merece atenção." - Disse a moradora de Vicente de Carvalho, Luzia Fernandes, entrevistada em 2006.
"Era uma vergonha o estado em que a praça se encontrava. A reforma vai ajudar os comerciantes, afinal ela é um cartão de visita. E do jeito que está, temos até vergonha de dizer que está e a nossa 14-BIS" - Queixava-se a espera do melhor Marilene dos Santos, proprietária a oito anos de um box no camelódromo em frente a praça, onde vende brinquedos.
Melhorias devem ser promovidas levando-se em consideração a memória do Distrito, mas os nossos especialistas literalmente cumprem o que falam:
"Depois de isolada, o maquinário vai entrar na área para iniciar o processo de demolição. Com isso daremos início ao detalhamento do projeto que prevê acabamento, decoração e aproveitamento total da área útil." - Explanou aos órgãos de imprensa o engenheiro Renato Camargo Barbosa, responsável naquele ano de 2006.







A Praça 14-BIS também é espaço muito requisitado e privilegiado para shows, além de eventos públicos. Nos carnavais dos anos 60, os foliões divertiam-se no 'Caldeirão de Momo' comandado por Bartolo e os ritmistas da época. Anualmente acontecem os tradicionais Festejos Juninos, com apresentações de artistas locais e também de expressão nacional.
UM DOS MUITOS SHOWS QUE ACONTECEM ANUALMENTE DURANTE OS FESTEJOS JUNINOS EM ITAPEMA/SP [2010].
EVENTOS DIVERSOS E CAMPANHAS INSTITUCIONAIS  SÃO REALIZADOS NO AMBIENTE DA PRAÇA 14-BIS.







O entorno da Praça mantém dia e noite, um importante comércio de carrinhos de lanches, pipoqueiros, máquinas de churros, sorveteiros, doceiros, tornando o local propício a momentos de lazer.
Evidentemente o assunto não se encerra aqui. A História repete-se com a Praça da Fraternidade... Lembro-me do entusiasmo que me causou enquanto garoto, a inauguração de uma outra praça nos moldes em que se pensou a praça à margem da Rua São Paulo, entre a Rio Grande do Sul e a Rua Sergipe, no Jardim Cunhambebe. Nessa época a 14-BIS já sofria com os equívocos arquitetônicos, os quais só desfiguraram-na, o mesmo ocorrendo nesta outra.
  PRAÇA DA FRATERNIDADE - BAIRRO JD. CUNHAMBEBE - (DISTRITO DE VICENTE DE CARVALHO) ITAPEMA/SP [2011].

Não entendo como uma praça pode se tornar playground, pura e simplesmente. Fazendo as vezes de Centro Comunitário ou entidade social. Criou-se a máxima de que praças de bairros, ou de periferia devem abrigar atividades esportivas, possibilitando ao povo despender energia física e alienar-se. Hoje a Praça da Fraternidade abriga quadra esportiva, rampa para skate, cancha de malha, quando sequer há incentivo público sério a tais atividades. É necessário adequar o espaço físico por hora atravancado. E outra coisa, preservar!
PRAÇA DA FRATERNIDADE [ITAPEMA/SP] NUMA VISÃO MAIS SIMPLISTA DE UTILIZAÇÃO DAS PRAÇAS.

Os ornamentos de uma praça devem simbolizar artisticamente a homenagem, ou seu homenageado, sua relação com a História da cidade. É espaço de convívio, lembrança e ensinamento. O pouco que havia do original, pessimamente reformado, como a marquise retangular revestida de pastilhas cerâmicas, num azul santomarense teve outra destinação. Seu calçamento em pedras brancas portuguesas, rodeado pelo mosaico de pedras alvas e marrons na forma de colchetes unidos, que a minha imaginação sugere arraias espalhadas pelo piso, tornou-se o sudário do descaso.
Do seu palco coberto com pequeno fosso à frente resta um silêncio aterrador. Diferente da praça que também cedeu lugar aos Festejos Juninos. Onde nos fins da década de 70 realizou-se shows do inédito 'Festival de Verão', transmitido pelo canal 2 VHF da TV CULTURA, de São Paulo, com grandes nomes da música brasileira. Se a memória não me trai (pois eu iniciava a pré-adolescência), Rita Lee foi uma dessas grandes estrelas que aterrissou em solo itapemense.
PRAÇA DA FRATERNIDADE - ITAPEMA/SP [2011].

Não é saudosismo piegas, não! Restringiu-se a utilização dela em troca de uma suposta tranquilidade da vizinhança, reproduzida em alheamento. Isto posto, sou favorável a reserva da área para construção de um Centro Cultural (de pelo menos 2 pavimentos) contemplando sala de espetáculo, galeria de arte, salas de ensaio e aulas. Com a transferência da atual praça para os terrenos junto a ferrovia de carga, ao lado da Av. Presidente Castelo Branco, mais adiante.



Ainda nesta parte central (esquina da Rua Bahia e Av. Thiago Ferreira) temos a Praça Poeta Vicente de Carvalho, urbanizada em 1966. Já teve chafariz e felizmente conservam o Busto do "Poeta do Mar", que dá nome ao Distrito.
    PRAÇA POETA VICENTE DE CARVALHO - VILA ALICE - ITAPEMA/SP [2011].

Ali funcionou o Serviço de Alto-Falantes, do Antônio Baraçal entre as décadas de 50 e 60. Durante muitos anos abriu as portas defronte a calçada da praça o 'Skina Lanches', reduto de rockeiros e figuras distintas do Itapema.





Na Praça aconteceu o 'I Encontro de Escritores de Guarujá', em Julho de 2005.









[ao violão Zezão, como intérprete Raquel Maciel Domingos - evento literário em Vicente de Carvalho  - 2005]



[Praça Poeta Vicente de Carvalho, "o Poeta do Mar" - Itapema 2011]


A urbanização do Itapema tem favorecido o surgimento de novas áreas de convivência. Poderíamos citar, numa região mais distante, a Praça Mario Covas (bairro de Morrinhos) às margens da Av. Antenor Pimentel.
A Praça Leonardo Santos Castro (Vila Áurea), depois de anos de lama e mato, foi oficialmente inaugurada em 19 de Abril de 2005. Igual podemos dizer da Praça Padre Cícero, neste mesmo bairro, homenagem ao beato cearense e às tradições nordestinas que ajudaram a formar Vicente de Carvalho.
PRAÇA MARIO COVAS - BAIRRO DE MORRINHOS - (DISTRITO DE VICENTE DE CARVALHO) ITAPEMA/SP. 
PRAÇA PADRE CÍCERO - VILA ÁUREA - ITAPEMA/SP.

No "fundão" do Pae Cará, Praça Eduardo Santos Cláudio, entre a Rua Júlio Pedro Pontes e a R. Joana de Menezes Faro, em frente ao 'Clube de Criadores de Curió de Gjá e Vicente de Carvalho', urbanizada em 23/Fevereiro/2008. Este terreno já foi Pista de Bicicross e campinho de futebol. Era aí que ensaiava para o carnaval da Ilha (anos 80), a querida G.R.E.S. 'Pérola do Atlântico', dirigida pela (cidadã-samba) Marlene dos Santos - a geniosa "Nega-Onça".
Agora em 2011, tivemos a entrega da Praça nos terrenos "das Torres" (Pae Cará), com instalação de bancos, balanços, pérgulas. Apesar da benfeitoria, considero simplista a utilização da área. Melhor seria o embutimento subterrâneo dos cabos de alta-tensão, possibilitando assim o aproveitamento considerável desta faixa importante de terrenos no Distrito. Ali poderiam ser construídos Centro Comunitário, Unidade de Saúde, Creche, Escola, Casa de Cultura etc, além duma praça.
  PRAÇA EDUARDO SANTOS CLÁUDIO - BAIRRO PAE CARÁ - (DISTRITO DE VICENTE DE CARVALHO) ITAPEMA/SP [2011].
PRAÇA "DAS TORRES" - PAE CARÁ - ITAPEMA/SP. 

Significativo é constatar, conforme a análise inicial, estarem desprovidas do elemento cultural que as caracterizaria. Tanto que mencionar certas outras praças  como tal soa um pouco exagerado, seja pelo espaço exíguo, dadas as atribuições desvirtuadas das mesmas.









Porém aí estão, sombreados por pares de chapéus-de-sol (pé de cuca), palmeiras, ipês, raros manacás, tendo a disposição alguns bancos, mesinhas e banquetas em torno de "monumentos-lápides" (sólidos de concreto), a ostentar placa de metal com o nome do homenageado... Quando existem! 
Como exemplos deste modelo cito a Praça 1º de Julho, incrustada nas "Casas Populares" do Pae Cará, batizada assim em 30/06/1988.
Praça Joaquim de Paulo Rocha, urbanizada em 10/05/1992, na bifurcação da Rua Martins Fontes e R. Paraná (Jardim Santense).
Praça da Bíblia Sagrada, entre a Rua Bahia e a R. 24 de Agosto, no bairro Vila Alice. Ao centro da praça há um pequeno monumento representando uma bíblia aberta estilizada, com a inscrição do Salmo 23.
PRAÇA 1º DE JULHO - BAIRRO PAE CARÁ - ITAPEMA/SP [2011].
PRAÇA JOAQUIM DE PAULO ROCHA - JARDIM SANTENSE - (DISTRITO DE VICENTE DE CARVALHO) ITAPEMA/SP.





[Praça da Bíblia Sagrada, detalhe]
PRAÇA DA BÍBLIA SAGRADA - BAIRRO VILA ALICE - ITAPEMA/SP [2011].

No caminho da R. Gaspar da Silva (Pae Cará), Praça Paula Ernesta de Santana.
Praça José Almeida dos Santos, próximo a Escola 'Marcílio Dias' (Vila Alice). Já nominada Praça Maurício Dias.
Praça Francisco Ferreira Silva (Pescador), instituída pela Lei Municipal nº 2.507 de 19/11/1996 (indicação 059/96), no Jardim Boa Esperança, ao lado da ciclovia da Via Santos Dumont.
PAULA ERNESTA DE SANTANA - BAIRRO PAE CARÁ - (DISTRITO DE VICENTE DE CARVALHO) ITAPEMA/SP [2011].
PRAÇA FRANCISCO FERREIRA SILVA (PESCADOR) - JARDIM BOA ESPERANÇA - ITAPEMA/SP.
PRAÇA JOSÉ ALMEIDA DOS SANTOS - VILA ALICE - ITAPEMA/SP.

Neste, por assim dizer, passeio pelas praças do Itapema/SP reforçamos a idéia de urbanidade plena, uma das funções importantes da Administração Pública. Mesmo não sendo urbanista, mas escritor, ao tornar a cidade cenário de algumas estórias minhas acabo por sê-lo.
Fora as queixas supracitadas, o que há de minha parte são certas lembranças da adolescência nesses recantos. Naquela época a gente namorava andando pelas ruas escondidas do centro ou montado numa "magrela", um dos muitos apelidos que dávamos à bicicleta.



[detalhe Praça João Guerra]


O melhor ao namorar de madrugada na acanhada Praça João Guerra, sob à penumbra do raro chalé assobradado da Rua Cunhambebe, era o fato de não haver um busto nos vigiando (senão o arfante intranquilo das namoradas) e ainda, aproveitar-se do tosco "monumento-lápide" para nos escorar.
 PRAÇA JOÃO GUERRA - JARDIM CUNHAMBEBE - ITAPEMA/SP [2011].

Ali depositava nos frágeis braços da meninas a oferta deste coração nem sempre aceita. Cujas palavras do poeta Rimbaud fazem a nota de um certo ressentimento:
"Ó minhas pequenas namoradas,
 Como vos odeio!
 Coloquem algum recheio
 Em vosso seio!..." - Mas eu reconheço, só amor as vezes é pouco. Não as culpo totalmente, protótipos de mulheres!... Por instantes senti a tepidez de seus lábios. Suas bocas arriscarem segredar ensaiando para um futuro verdadeiro amor, o sincero "Eu te amo".