__________ Itapema, suas histórias... __________

domingo, 13 de abril de 2014

OS BACKHEUSER - EMPREENDEDORES EM ITAPEMA

A FAMÍLIA BACKHEUSER, COMERCIANTES QUE ESTENDERAM SEUS NEGÓCIOS ATÉ ITAPEMA/SP. 

Sobrenome reconhecido de logradouro do ITAPEMA, os Backheuser remontam a antiga história do Distrito e ocupação de suas terras. Era uma família de comerciantes bem sucedidos na vizinha santista, que estenderam seus negócios até nossa cidade. Lembrados nos versos saudosos de Lydio Martins Corrêa, poeta itapemense:
"Do Pai-Cará sempre guardei lembrança,
Os Backheuser: o velho Odil também,
Reminiscências, tempo de criança..." - Aparentados da Família Proost de Souza, no início do século XX promoveu o loteamento da antiga 'Villa Pae-Cará'. Um dos primeiros empreendimentos imobiliários em solo itapemense (1918). Vendas a cargo de Odil Proost de Souza, que assinaria anos mais tarde a Ata de Fundação da G.R.C.E.S. 'União Imperial' (Marapé-Stos), em 12/03/1976.
ANÚNCIO JORNAL 'A TRIBUNA' DO LOTEAMENTO 'VILLA PAE-CARÁ' (1918).

Entre 1905 e 1950, o cultivo de Banana movimentava a economia do Litoral Paulista. Sendo implementado em ITAPEMA/SP pelas Famílias Backheuser e Proost de Souza, num extenso bananal abrangendo o 'Sitio Paicará', área que depois comporia o bairro homônimo e maior do Distrito.
Também no Pae-Cará foi montado no ano de 1900, pelo Empresário Hermano Backheuser, um Equipamento Beneficiador de arroz, conforme registrou o antigo jornal 'Cidade de Santos', no dia 28 de Julho de 1900:
NOTA NO JORNAL 'CIDADE DE SANTOS' INFORMA SOBRE EMPREENDIMENTO NO ITAPEMA/SP (1900).

Cujos membros da Família participaram da Associação Comercial de Santos (A.C.S.), desde Dezembro de 1870. Donos de Firma com negócios no Porto, 'Gustavo Backheuser, F. Silva & Cia.', no final do século XIX, comerciando diversos produtos. 
Empresas de Importação e Exportação anunciavam em cartazes o consumo de cerveja. Informando e instigando o gosto do consumidor pela "Loura gelada" em todo Brasil, desde o século XIX. Como a Importadora santista 'Gustavo Backheuser' fazia nas páginas do jornal 'O Estado de São Paulo', de 26/02/1894, ajudando a alavancar inicialmente o negócio de cerveja (bebida hoje preferida dos brasileiros).
CARTAZ IMPORTADORA 'GUST. BACKHEUSER' ANUNCIO DE CERVEJA (1894).

Sua genealogia assim remonta à:
João Júlio Carlos Backheuser (1760-?). Sua esposa (1762-?) Maria Helena Margarethe Lindmaan (Lingermaan), naturais de Quackenbruck Hannover, Alemanha. Pais de:
Um de seus representantes mais ilustres, Gustavo Backheuser - natural de Quackenbruck Hannover, Alemanha. Em Santos casou-se com D. Leonor Catalat (filha de Paulo Catalat e de Dona Ana Gorivert, franceses). Fez parte, em 22 de Dezembro de 1870, da Diretoria Provisória que fundou a A.C.S. (1870 à 74) e Diretor do Biênio de 1879 e 80. Seria encarregado com outros pares de dirigir as obras da 1ª Sede da A.C.S., no ano de 1883. Em 1889 estava estabelecido na Praça da República Nº 28-30, com Casa de Importação e Consignação, com filial em São Paulo, à Rua José Bonifácio Nº 39. Líder da coletividade alemã e comerciante de influência na Praça do Comércio, deixou promissora descendência. Sendo sua prole:
Eduardo, João Carlos e Elisa.
D. Ana Helena Backheuser - nascida em Santos/sp, à 26/05/1863. Casada com Francisco Valentim Krug, falecido no dia 29/03/1888, na cidade de Campinas/sp.
 COMERCIANTE GUILHERME BACKHEUSER - QUE DÁ NOME À RUA DO BAIRRO PAE-CARÁ, EM ITAPEMA/SP.

Completava a Varonia inicial dos Backheuser, outro próspero membro da Família. Guilherme Backheuser (que dá nome à Rua do Bairro Pae-Cará, em ITAPEMA/SP) - nascido em Quackenbruck Hannover, Alemanha (1797). Casamento realizado na casa do Sogro, quando desposou D. Maria Anunciada Dias (Mara Dias), natural da cidade de Santos (1789), falecida à 1892, na mesma cidade. Homem solidário colaborou na Santa Casa de Misericórdia de Stos. Falece no ano de 1877, na cidade santense.
Sua filha era D. Eugênia Helena Backheuser - (1846-?) nasceu em Santos, morreria na mesma cidade, numa data indefinida. Casada à 11/121869. Esposo José Proost de Souza - nascido por volta de 1842(5), na cidade santista. Filho de Custódio Antonio de Souza e Delfina Umbelina Proost. Alferes. Proprietário na Mesa Comerciária. Vice-Presidente da Câmara de Vereadores de Stos, em 1833. Correspondente do Banco do Brasil, na Capital S. Paulo. Tiveram como filha, Marina Proost de Souza (1880-1964).
  RUA GUILHERME BACKHEUSER ESQUINA COM RUA FLORIANO PEIXOTO - ITAPEMA/SP.
RUA GUILHERME BACKHEUSER DIREÇÃO OPOSTA (PAE-CARÁ VELHO) - ITAPEMA/SP

Júlio Backheuser, um ancestral deles, foi Sócio Fundador do Clube XV (1873), tradicional nos festejos do Carnaval santista. Tendo empreendido esforços na região para a Campanha Abolicionista.
Seu parente, Everardo Adolpho Backheuser exercia Engenharia no Rio de Janeiro, em 1890. Geólogo, Geógrafo, com livros publicados sobre a matéria. Professor da Escola Politécnica do Rio de Janeiro, Deputado Estadual, se notabilizou por sua atuação intelectual na reforma urbana realizada na cidade do Rio de Janeiro, então Capital do Brasil (durante o governo de Rodrigues Alves e de Pereira Passos, como Prefeito). Membro Fundador e 1º Secretário da Sociedade Brasileira de Ciências.
Outro destes familiares foi Luiz (Luís) Guilherme Backheuser - nascido à 18/05/1843 (filho de Guilherme Backheuser). Natural de Santos, onde à 21/08/1870 casou-se com D. Ana Joaquina de Freitas Guimarães Backheuser. Residindo na Rua do Rosário Nº 96. Também membro da A.C.S. Sócio da Firma 'Backheuser & Leão', estabelecida na Rua 25 de Março Nº 6-68, com Loja e Armazém de Louças. Falecido à 17 de Agosto de 1923, em São Paulo. Era sua prole:
D. Leonor Helena Backheuser, nascida à 27/05/1871, Santos. Casou-se com Custódio Soares de Medeiros. Morreu em 13 de Outubro de 1921.
D. Berta Backheuser, casada com o Dr. M. Monteiro Viana.
Dr. Otto Backheuser - nasceu na cidade de Santos, à 29/07/1882. Casado com D. Odila da Cunha Bueno, neta do Visconde de Cunha Bueno. Pais de: D. Sofia Amélia, nascida à 15/02/1909, em São Paulo, onde no dia 26 de Abril de 1934, casou-se com Francisco Coutinho Filho.
Anota-se ainda a filha Ivone.
RUA HEICHI MATSUMOTO - ITAPEMA/SP (ANTIGA REGIÃO DA 'VILA PAE-CARÁ', LOTEAMENTO PROMOVIDO PELA FAMÍLIA BACKHEUSER).

Luiz Alberto Backheuser - Em 22/08/1898, na Capital paulista, uniu matrimônio com D. Eugênia Teodora Carpenter Proc, nascida em 1875 na Inglaterra, falecida à 26 de Setembro de 1908, em Londres. E seu marido morto no Rio de Janeiro, em 10/03/1910. Sendo sua prole:
Vitor Hugo Backheuser - Casado com D. Amara Olavo Cotti.
D. Hilda Backheuser, nascida à 14/10/1899, natural de Santos. No dia 6 de Setembro de 1919, em São Paulo, casou-se com o Dr. Alfredo Ellis Júnior.
D. Betty Backheuser, em Santos desposou Mauro Conceição.
Eugênio Alberto Backheuser - casado com D. Josefina de Barros Poyares, nascida à 11/07/1910.
A Família tinha grande envolvimento social, D. D.: Eugênia Backheuser Proost de Souza, em 1912 assumiu a Zeladoria da Capela da Santa Casa de Stos.
Registramos pois, a passagem dos Backheuser por ITAPEMA/SP bem como pela vida, seus negócios empreendidos neste Distrito portuário, duma linhagem áurea e atuante dentro da sociedade brasileira. 

segunda-feira, 7 de abril de 2014

ANIMAIS MARINHOS NO ESTUÁRIO DO PORTO

PESCADORES PUXAM REDE NO ESTUÁRIO DO PORTO PRÓXIMO A MARGEM ITAPEMENSE.

Em virtude ao acesso direto do Estuário do Porto com as águas do Oceano Atlântico, não é incomum o avistamento de animais marinhos que adentram sua extensão de 10 Km, muitas vezes surgindo nas proximidades da margem esquerda (ITAPEMA/SP).
[à esquerda entrada do Porto e região, século XVII]
Noutros tempos, preservadas suas características naturais (berçário de espécimes marinhas) era possível ver no Canal estuarino, botos Tucuxis (Sotalia guianensis) que acompanhavam a movimentação das Barcas do ITAPEMA/SP, além de tartarugas submergindo a flor d'água, cações (filhotes de Tubarão) no seu estágio de crescimento, ou ainda animais aquáticos de maior porte.
DETALHE DE MAPA REPRESENTANDO A BARRA GRANDE JUNTO A ILHA DE SANTO AMARO.
ENTRADA DA BARRA E EXTENSÃO DO ESTUÁRIO DO PORTO [LITORAL PAULISTA].
 
Vários relatos destas aparições foram registrados pela imprensa local ao decorrer das décadas, tendo gerado momentos inusitados, solidários e dramáticos:
BOTO TUCUXI (SOTALIA GUIANENSIS) ANTES COMUM NO CANAL DO ESTUÁRIO DO PORTO.








No dia 15 de Março de 1916, Baleia Cachalote (Physeter macrocephalus), medindo cerca de 20 metros (provida de dentes) apareceu morta em águas da Barra Grande. Examinada pelo Profº Von Iberg, Diretor do Museu Paulista, e impedido por falta de verba para proceder estudos do animal, devido ao intenso mau cheiro determinou que o cetáceo fosse arrastado pelo Rebocador 'Sul América' para o "Saco do Major", na Ilha de Santo Amaro.
Por três dias, em Setembro de 1937, outra baleia bordejou entre a Praia do Góes e a Ilha das Palmas, sendo registrada em notícia do jornal 'A Tribuna'.
No dia 27 de Julho de 1945, uma baleia de cerca de 16 metros de comprimento foi avistada em águas do Estuário, quase defronte ao Sítio 'Boa Esperança', de propriedade do Sr. Adriano Dias dos Santos. Arpoada por Manoel da Silva e João Alberto de Barros, trabalhadores agrícolas. Foi rebocada para próximo do ferry-boat onde ficou encalhada, suscitando a curiosidade de centenas de pessoas, até mesmo de São Paulo.
A presença destes cetáceos reforça ter havido na região concentração de baleias e abundância, pois a Ilha de Santo Amaro serviu a atividade pesqueira. Quando no século XVIII funcionou aqui a Armação de Baleias.
ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E AS CORRENTES MARÍTIMAS DO SUL ACABAM POR TRAZER ANIMAIS MARINHOS ORIGINÁRIOS DA REGIÃO POLAR.

Outras espécies trazidas pelas correntes marítimas do Sul (Antártida) para o Litoral paulista, são encontradas debilitadas ou mesmo doentes em decorrência da poluição humana dos mares.
Em 07/Julho/1977, às 15:30 h, seria resgatada uma Foca, macho (com cerca de 1,80 m de comprimento, pesando aproximadamente 250 Kg) no Estuário do Porto, nas margens de ITAPEMA/SP. Capturada próximo ao Terminal de Conceiçãozinha por Mauro Gilbran Lima e colegas seus, foi avistada primeiro por funcionários da Indústria Dow Química. Mauro, estivador-bagrinho (21 anos), residente à Rua Santo Amaro Nº 17 - Sítio Conceiçãozinha, conta o ocorrido a reportagem do jornal 'Cidade de Santos':
CANAL DO PORTO MARGEM ESQUERDA - ÁREA DE CAPTURA DE ANIMAIS MARINHOS [ITAPEMA/SP].

"(...)Estava tomando um banho na praia, numa prainha que tem junto à Dow Química. Daí eu vi que todo mundo olhava para um negócio no mar, e fomos lá, eu e Tapió, cujo nome eu não sei direito, me parece que é Quininim. Apareceu uma embarcação de um rapaz, Antonio Henrique de Oliveira, meu conhecido, que emprestou o barco e fomos lá ver o bicho, que estava no mar. Daí chegamos lá, era uma foca. Pegamos um cabo e começamos a passar no pescoço dela, com cuidado para não arrebentar o cabo, que ela era muito forte. A foca não queria ir para a água, sempre subia para a terra, a gente tentava puxá-la pra água pensando que se fosse para a terra poderia vir a morrer, mas ela não queria. Daí trouxemos para a terra e ela ficou ali até o anoitecer..." - Transferida para o Aquário Municipal de Santos ficou em exposição num dos seus tanques, mas morreu após 4 meses por complicações veterinárias. 
 FOCA RESGATADA NAS MARGENS DO SÍTIO CONCEIÇÃOZINHA EM ITAPEMA/SP (1977).

No dia 19 de Janeiro de 2012, a Bocaina (margem itapemense) recebeu a visita de uma Foca Caranguejeira (Lobodon carcinophagus), nas imediações do campo do time de futebol amador E.C. 'Canto da Coruja'. Antes que se fizesse o seu resgate a foca lançou-se novamente no mar.
 A FOCA CARANGUEJEIRA (LOBODON CARCINOPHAGUS) DESCANSA NA MARGEM ITAPEMENSE (2012).

Tais aparições sempre despertam a curiosidade de moradores da região, bem como alertam as autoridades de Biologia Marinha para as ocorrências envolvendo esses animais, seja pelo manejo despendido para tratamento ou o desequilíbrio do meio-ambiente.