__________ Itapema, suas histórias... __________

quinta-feira, 27 de julho de 2017

FERROVIA DE CARGA EM ITAPEMA/SP

LOCOMOTIVA OPERA NA FERROVIA DE CARGA EM ITAPEMA/SP.

A vocação portuária itapemense advinda da utilização de suas margens por estaleiros, píeres de transbordo de produtos e/ou mercadorias, ancoradouros pesqueiros, postos da administração portuária, garagens de barcos dos clubes náuticos, terminais de transporte de passageiros, dentre outros serviços marítimos feitos em pequenas e médias embarcações ainda em tempos remotos, efetiva-se à partir de 1958 quando é implantado pela CDS - Companhia Docas de Santos o primeiro cais em Conceiçãozinha, recebendo navios de maior porte.
O projeto do urbanista Prestes Maia (Plano Regional de Santos - 1950) preconizava a construção de novas instalações portuárias na margem esquerda de ITAPEMA/SP, promovendo indústrias e terminais marítimos de carga, a serem atendidos pelos diferentes modais, inclusive o ferroviário.
No início da década de 1970 havia uma projeção de avanço agrícola da produção brasileira, consequentemente perspectiva de expansão do Porto na margem esquerda itapemense do estuário, instalando-se terminais marítimos de carga a granel. Tanto como desapropriações de terrenos para assentamento do Retroporto.
Em 1971, passa a funcionar o Complexo Industrial da Dow Química S/A, em Conceiçãozinha, dispondo de cais com 153 metros de comprimento para operação de granéis líquidos (produtos químicos, inflamáveis).
Pelo final de 1971, sob administração da CDS - Companhia Docas de Santos, é inaugurado em Conceiçãozinha, o Terminal de Fertilizantes (TEFER), também denominado "Cândido Gaffré", com movimentação de granéis sólidos minerais (adubos, enxofre), a princípio transportados por caminhões. Em 1977, o TEFER era considerado o maior terminal exclusivo recebedor de adubo a granel do Brasil. Capacidade nominal de 180 mil toneladas. Dotado de Grabes (guindastes), operando 2 navios simultaneamente e descarga de até 4 produtos diferentes. À época 80% do adubo importado pelo Porto desembarcava na margem esquerda de ITAPEMA/SP.
FERROVIA DE CARGA CONCEIÇÃOZINHA-PEREQUÊ ATRAVESSA O DISTRITO ITAPEMENSE/SP.

Para recebimento de mercadorias, bem como suprir demandas dos Terminais Marítimos projetou-se um Ramal Ferroviário de Carga, construção iniciada em 1975, pertencente a RFFSA (Rede Ferroviária Federal S.A.), cerca de 4 Km em bitola mista (três trilhos), que veio beirando ITAPEMA/SP, às margens do estuário (Bocaina, Prainha) em direção à Estrada Velha da Conceiçãozinha. Neste trajeto cortou o antigo campo do Itapema F.C., na Rua Leonilópolis, atravessou terrenos dos estaleiros, desapropriou casas, comércios, avançou sobre o Cine Itapema (saudoso "Cinema Grande"). E bem mais adiante desbastando a Restinga itapemense, rasgou os campos de futebol do Cruzeirinho, do Boa Esperança, próximos à "Gamboa do Juca" (Rio da "Pouca Saúde"), área do Sítio Conceiçãozinha estabelecendo seu Pátio de Manobras e ramificações férreas com os terminais marítimos de carga.
PONTE FERROVIÁRIA - FERROVIA DE CARGA CONCEIÇÃOZINHA-PEREQUÊ [ITAPEMA/SP] 1979.
LOCOMOTIVA A DIESEL PUXA COMPOSIÇÃO SOBRE A PONTE FERROVIÁRIA [ITAPEMA/SP] 2010.

Este Ramal Ferroviário de Conceiçãozinha pela margem esquerda itapemense está ligado à uma Ponte Ferroviária, em estrutura metálica, de 1.546,10 m de comprimento, com seções de 50 m e Vão Central Móvel de 46 m e altura máxima de 14 m, permitindo a navegação de barcos de pequeno e médio porte. A meso-estrutura da Ponte férrea, onde foram assentados a bitola mista e o terceiro trilho, foi toda arquitetada em Aço tipo 52 de formato trapezoidal inteiriço, recebendo aditivos externos de cobre e titânio para evitar corrosão. As fundações, semelhantes às da Ponte Rio-Niterói, foram feitas com estacas metálicas, porém recebendo um revestimento anticorrosivo. Uma das maiores do gênero no Hemisfério Sul, construída pela NORBERTO ODEBRECHT. Desde a parte continental santista, cruzando no estuário o Largo de Santa Rita, ao longo da Bocaina até as proximidades do Forte de Itapema, no Bairro homônimo, perfazendo 5,5 Km da Ferrovia de Carga nos limites do Distrito.
VÃO CENTRAL MÓVEL - PONTE FERROVIÁRIA RAMAL CONCEIÇÃOZINHA-PEREQUÊ [ITAPEMA/SP] 1979.
PONTE FERROVIÁRIA RAMAL CONCEIÇÃOZINHA-PEREQUÊ TRANSPÕE O ESTUÁRIO SOBRE O LARGO DE SANTA RITA [ITAPEMA/SP] 2004.

O acesso de trens de carga para o Ramal Ferroviário de Conceiçãozinha, com um total de 25,2 Km de extensão de trilhos, a partir do Pátio Perequê (Cubatão/SP), sobrepujando mangues, rios, aclives geográficos, charcos, obstáculos topográficos e a densa vegetação da Mata Atlântica. Além do Túnel Ferroviário sob o Morro das Neves (área continental de Santos/SP), com 981 metros de comprimento, sendo 28 m de talus, 119 m em saprolito bastante heterogêneo, 68 m em rocha decomposta  e  734 m em rocha cã, tendo 45,9 metros quadrados de seção acabada. Incluindo a Ponte Ferroviária perlongando a Bocaina, os trilhos pelo Distrito, o Pátio de Manobras em ITAPEMA/SP. Dados da PORTOBRÁS/RFFSA - 1972/81.
FERROVIA DE CARGA  CONCEIÇÃOZINHA-PEREQUÊ CRUZA BAIRROS DO DISTRITO ITAPEMENSE/SP.

Remanescente do II PND (Plano Nacional de Desenvolvimento), onde conquistou prioridades iguais às da Ferrovia do Aço, o Ramal Ferroviário de Conceiçãozinha trouxe os trens da Rede Ferroviária Federal e da Fepasa à margem esquerda itapemense, atendendo assim às necessidades de ampliação do Porto. De forma experimental a Ferrovia de Carga (Conceiçãozinha - Perequê) funcionava desde o ano de 1979, sendo inaugurada oficialmente em Agosto de 1981.
Registra o caderno semanal "Marinha Mercante em Todo o Mundo", do Jornal 'O Estado de S. Paulo', numa matéria de Amaury César sobre o empreendimento da Ferrovia de Carga:
"(...)Até Dezembro de 1979, quando os primeiros trens experimentais alcançaram a área de Conceiçãozinha, haviam sido gastos na obra Cr$ 2 bilhões e 350 milhões [de Cruzeiros], sendo 29,17% investidos pela PORTOBRÁS, 54,17 pela Rede Ferroviária Federal [RFFSA] e 16,66% pelo BIRD. Acrescente-se a esse custo as obras do Pátio construído em Conceiçãozinha, onde foi instalada uma Balança Ferroviária automática para 142 toneladas, para pesagem dos fertilizantes a granel provenientes do Terminal que ali funciona. Só no Pátio há 3,2 quilômetros de linhas com o terceiro trilho, para trens de 1 m e 1,6 metros de bitola.
PÁTIO DE MANOBRAS RAMAL FERROVIÁRIO DE CARGA CONCEIÇÃOZINHA-PEREQUÊ [ITAPEMA/SP].
DESVIOS NA LINHA FÉRREA INTERLIGAM OS TERMINAIS MARÍTIMOS A FERROVIA DE CARGA ITAPEMA/SP.

Junto aos seis armazéns de fertilizantes [TEFER], foram implantadas linhas que totalizam quatro quilômetros, além dos quase quatro quilômetros de linhas internas no recém-inaugurado Terminal de Conteineres [TECON].
No projeto do ramal da margem esquerda foram considerados o Terminal de Fertilizantes, que deve a curto prazo movimentar por Estrada de Ferro cerca de dois milhões de toneladas anuais, e o Terminal de Conteineres, que deve absorver, numa primeira fase de operações, 50% dos 110 mil cofres-de-carga a serem movimentados via Santos em 1982.
FERROVIA DE CARGA CONCEIÇÃOZINHA-PEREQUÊ PERLONGANDO A MARGEM ESQUERDA DO PORTO [ITAPEMA/SP].

Para atender a essa demanda de transporte, o Ramal de Conceiçãozinha foi planejado e construído com um superdimensionamento das estruturas, observando, apesar do terreno acidentado, rampas máximas de 1,3% e raios mínimos de curva de 286 metros, o que permite uma velocidade de segurança de até 60 quilômetros horários nos trens, considerada pela Engenharia Ferroviária como excelente, por se tratar de um leito destinado à carga..." - Detalha ainda a matéria jornalística.
"(...)A ponte tem vãos de 50 metros cada um, e mais um vão central móvel de 46 metros, que sobe 10 metros em relação à parte fixa. Com isso, permite a passagem de barcos com até 14 metros de altura sobre o maior preamar registrado nos últimos 25 anos naquela área. Um sistema eletro-mecânico aciona de forma rápida, a parte elevadiça, completando toda a operação em quatro minutos, ou oito minutos no restabelecimento do tráfego ferroviário..."
LOCOMOTIVA CRUZA A PONTE FERROVIÁRIA DO RAMAL DE CARGA CONCEIÇÃOZINHA-PEREQUÊ [ITAPEMA/SP].

Concomitantemente em Agosto de 1981, começa a operar o Terminal de Contêineres (TECON), administrado pela CODESP (Companhia Docas do Estado de São Paulo). 596 mil metros quadrados de área, capacidade de movimentação de 2 milhões de TEU por ano. Equipado de Transtêineres sobre trilhos para transbordo dos cofres-de-carga.
Em 1982, tem iniciado novo serviço intermodal entre as duas margens do Porto pela Transitária Brasileira S.A. (Transbrasa), do Grupo Dickinson. A Empresa passou a utilizar a Ferrovia da RFFSA para enviar os contêineres da margem direita (Santos/SP) para o TECON (Terminal de Contêineres), na margem esquerda itapemense do Porto e vice-versa. Obtendo com isso além de uma redução nos gastos com fretes, substancial economia de tempo na movimentação de carga e descarga de mercadorias.
PANORÂMICA DA PONTE FERROVIÁRIA AO LONGO DA MARGEM ESQUERDA ITAPEMENSE DO PORTO [2012].

Nessa oportunidade (Julho de 1982), o repórter Carlos Pimentel Mendes em matéria publicada no Jornal 'O Estado de S. Paulo', pode avaliar e acompanhar a rotina da Ferrovia de Carga Conceiçãozinha-Perequê [site 'Novo Milênio]:
No Ramal Ferroviário de Conceiçãozinha são empregadas Locomotivas de 720/750 HP a diesel, que levam até 16 vagões com contêineres de 1.500 toneladas, ou Locomotivas de 1.800 HP, capacidade para puxar até 26 vagões com contêineres de 2.500 toneladas, considerando-se que cada vagão-plataforma recebe até 3 contêineres de 20 pés, devidamente fixados e escorados contra quedas.
A composição deixa o Pátio de Manobras Piaçaguera (Cubatão/SP), às 12:31 h., rumo à Conceiçãozinha (ITAPEMA/SP) na margem esquerda do Porto, seguindo pelo trecho de vegetação, passa pela localidade dita "Sítio do Pica-Pau", depois deparando-se com o Túnel Ferroviário perfurado no Morro das Neves (Santos/SP), toma a rampa de acesso (Ilha Barnabé) com inclinação de 45 graus transpondo no estuário o Largo de Santa Rita sobre a Ponte Ferroviária defronte à Bocaina. A Ponte Férrea possui um segmento central içável possibilitando a passagem das embarcações por baixo.
VÃO CENTRAL MÓVEL PONTE FERROVIÁRIA RAMAL DE CARGA CONCEIÇÃOZINHA-PEREQUÊ [ITAPEMA/SP].

A operação de movimentação do Vão Central Móvel (46 m de comprimento e 14m de altura) levou 6 minutos para descer e 8 minutos para subir, incluso o travamento na posição correta através de calços hidráulicos automáticos.
PONTE FERROVIÁRIA DA FERROVIA DE CARGA EM ITAPEMA/SP PASSA POR REPAROS ESTRUTURAIS [DÉCADA DE 1980].

Chega a composição ao Pátio da Estação de Conceiçãozinha, às 13:31 h., onde a Locomotiva é desengatada de um lado e a Máquina da CODESP (600 HP, capaz de tracionar 1.200 toneladas) engata de outro, sendo feita a transferência de carga da Ferrovia pelos desvios dos trilhos para os Terminais Marítimos.
LOCOMOTIVA MANOBRA VAGÃO EM TERMINAL DE CARGA DA MARGEM ESQUERDA DO PORTO [ITAPEMA/SP] 1982.

As Estações dispunham de dispositivos de staff. Trata-se de um mecanismo de controle de tráfego ferroviário, que consiste num conjunto de bastões de ferro com sulcos irregulares e o nome de 2 Estações gravado. Levado pelos maquinistas de uma Estação para outra, servem para avisar a Estação seguinte de que a linha vai estar ocupada. Enquanto introduz a peça no dispositivo, o responsável pela Estação informa à Estação seguinte (por telefone) o código da composição que está saindo. Lá, ao receber o sinal, seu colega retira um bastão do dispositivo semelhante para trocar com o maquinista, quando o trem passar. Isso evita que dois trens percorram simultaneamente a mesma linha férrea, o que poderia acarretar uma colisão.
Estimativas que vislumbravam armazéns de carga, silos para 60 mil toneladas de cereais à granel se realizam nos anos de 1980, cujo avanço não parou mais. Terminais de grãos (soja, milho), farelos, açúcar, suco de laranja, foram tomando a paisagem do Porto itapemense com seus grabes (guindastes "cangurus"), esteiras transportadoras, shiploaders, portêineres à lembrar "dinossauros mecânicos", abastecidos pelo Ramal Ferroviário em vagões de carga, ladeando o Distrito.
Maio de 1985, entra em funcionamento o Terminal da Cutrale (Sucocítrico Cutrale Ltda), com 286 metros de cais acostável operando sucos cíticos a granel e polpa cítrica (farelo de laranja).
Inaugurado o terminal da Cargill Agrícola S.A., no ano de 1986, para embarque de comodities: soja, milho, farelos, açúcar.
Com a concessão da infra-estrutura ferroviária a operadores privados, estabelecida entre 1996 e 1999, os corredores de acesso ao Porto permaneceram sob controle de diferentes empresas do setor, responsáveis pela operacionalização do transporte de carga envolvendo os ramais ferroviários da margem direita (Santos/SP) e a margem esquerda itapemense do Porto. O Ramal Ferroviário de Conceiçãozinha-Perequê cedido a MRS Logística, compartilhado por Ferroban (Ferrovias Bandeirantes S/A), Ferrovia Novoeste S.A., Fca (Ferrovia Centro-Atlântica S.A.) e ALL (América Latina Logística).
O RAMAL FERROVIÁRIO DE CARGA CONCEIÇÃOZINHA-PEREQUÊ ATRAVESSA ÁREA URBANA EM ITAPEMA/SP.

Entre as proximidades do Forte de Itapema e Conceiçãozinha, o leito ferroviário foi assentado praticamente em percurso habitado ou já urbanizado, atravessando bairros a acarretar problemas de convívio com a Ferrovia de Carga em ITAPEMA/SP. A Estrada de Ferro extinguiu patrimônios emblemáticos constituintes do Distrito, o campo de futebol do centenário Itapema F.C., o saudoso Cine Itapema, desapropriou chalés antigos, desalojou tradicionais estaleiros.
A FERROVIA DE CARGA CONCEIÇÃOZINHA-PEREQUÊ EXTINGUIU PATRIMÔNIOS EMBLEMÁTICOS CONSTITUINTES DO DISTRITO ITAPEMENSE/SP.

Enquanto os trilhos avançavam pelo Distrito portuário, inúmeras ocasiões, o substrato utilizado no assentamento da Ferrovia de Carga, precisava ser reposto pela Empreiteira da obra, pois o morador itapemense se aproveitava ao carregar a terra em carrinhos-de-mão para aterrar os seus quintais. Dormentes serviam como estrutura de chalés e barracos, bancos à frente das residências, fazer pequenas pontes acima das valas de águas pluviais insalubres.
LOCOMOTIVA À DIESEL PERCORRE O RAMAL FERROVIÁRIO DE CARGA [ITAPEMA/SP].

A ampliação do Porto na margem itapemense implantando-se terminais marítimos de exportação e importação, o Ramal Ferroviário de Carga Conceiçãozinha-Perequê deixaria seu rastro. Devido a desatenção da Autoridade Portuária, permitiu a ocupação precária e desordenada de habitações na faixa de marinha do estuário. Consequentemente, terras à beira da linha férrea, trechos da Restinga degradaram-se dando espaço à moradias irregulares junto aos trilhos da Ferrovia de Carga, senão espremidas ao lado dos terminais marítimos em ITAPEMA/SP.
MORADIAS À BEIRA DO RAMAL FERROVIÁRIO CONCEIÇÃOZINHA-PEREQUÊ [ITAPEMA/SP].

O trem de carga corta o cotidiano das conhecidas comunidades itapemenses, com riscos de descarrilamento de vagões, derrame de produtos, ou mais comumente atropelamento de transeuntes, tendo ocorrido casos de mutilação de membros humanos, acidentes fatais com pessoas e animais domésticos (cães, gatos). Meninos e jovens, como seu brinquedo, inadvertidamente pegam carona ao verem passar a composição ferroviária.
Ao atravessar a área urbana a Ferrovia de Carga cruza em nível, o trânsito de veículos e pedestres no "Pontão das Barcas", causando transtornos naquela passagem, quando da decorrência da grande movimentação de vagões. Embora haja uma passarela ali, a interferência do Ramal Ferroviário no tráfego é notória. De muita serventia foi a instalação da passarela sobre o Pátio de Manobras, no Sítio Conceiçãozinha.
PASSAGEM DE NÍVEL FERROVIA DE CARGA NO "PONTÃO DAS BARCAS" [ITAPEMA/SP].
VAGÕES ATRAPALHAM A PASSAGEM DE PEDESTRES NO "PONTÃO DAS BARCAS" - FERROVIA DE CARGA EM ITAPEMA/SP.

O projeto original do Pátio de Manobras do Ramal de Conceiçãozinha, possuía 4 linhas férreas partindo da principal, porém nenhum desvio entre elas, de maneira que para a remoção de um vagão que estivesse no meio de uma dessas linhas, tornava-se necessário usar a linha principal por diversas vezes, interrompendo seguidamente o tráfego de caminhões oriundos da Via Idalino Pinez (Rua do Adubo) na passagem de nível, intersecção conflitante dos modais. Embora tenha sofrido adaptações, considerado um ponto crítico, sujeito a congestionamentos por misturar-se ao trânsito urbano de ITAPEMA/SP. A medida adotada após muitos anos foi um Viaduto por cima do Ramal Ferroviário Conceiçãozinha-Perequê, a segregar o modal rodoviário, do ferroviário. Contudo, o ideal seria este Viaduto transpondo também a Via Santos Dumont, além da Ferrovia de Carga, evitando o conflito dos caminhões com o trânsito urbano do Distrito, mas a obra não contemplou tal solução, ficando aquém de resolver o problema de forma definitiva.
De maneira geral, o cenário da logística portuária no Brasil é preocupante apesar do crescimento e dos elevados investimentos que vêm sendo feitos, diversos entraves ainda comprometem a competitividade dos portos brasileiros, tais como a baixa integração modal, as deficiências nos equipamentos de movimentação, a complexidade regulatória e as dificuldades nos acessos terrestres e marítimos.
O arco ferroviário do Porto (tendo cerca de 40 Km), que permite a interconexão das diferentes, malhas férreas aos terminais de embarque e desembarque de carga encontra-se sob concessão da MRS Logística.
Para aumentar o fluxo de cargas que chegam e saem do Porto por meio das ferrovias, o concessionário trabalha com pátios de cruzamento em alguns trechos estratégicos de suas malhas, minimizando a dificuldade do trilho único e possibilitando a passagem de um trem, enquanto outro trem espera nesse pátio de acordo com a priorização das concessionárias das ferrovias.
O aumento da participação do transporte ferroviário é importante para que as quantidades movimentadas pelo Porto continuem crescendo, visto que encontra dificuldades para movimentar os milhões de toneladas anuais.
Conforme especialistas no transporte ferroviário, um vagão é capaz de transportar de 80 à 100 toneladas de grãos, isso significa que cada um pode substituir até 4 caminhões, uma composição leva de 6,5 à 8 mil toneladas de mercadorias de uma só vez, podendo retirar das estradas de rodagem 320 veículos de carga. A eficiência dos vagões se dá nos casos em que as cargas ultrapassam 40 toneladas, seja em médias ou longas distâncias para cargas maiores e mais pesadas. Bem como pelo baixo custo de manutenção das linhas férreas. O transporte ferroviário utiliza menor área para a mesma quantidade de carga transportada, uma vez que os trens ocupam menos espaço do que os caminhões, tanto nas vias comuns quanto nos terminais de embarque e desembarque, permitindo aumentar a produtividade das operações dos terminais marítimos e movimentar uma quantidade maior de carga na mesma área de cais.
A capacidade de transporte ferroviário pela margem esquerda itapemense do Porto poderia ser aumentada para até 25 milhões de toneladas anuais, se os terminais tivessem suporte para movimentar toda essa carga trazida em composições ferroviárias. Isto requer investimentos necessários tanto por parte dos arrendatários dos Terminais Marítimos quanto pela Administradora Portuária. A maioria desses comboios transportam cargas a granel, que são descarregadas dos trens nas moegas disponíveis no Porto (margem direita e esquerda), sendo que em alguns casos o processo é lento, baixa quantidade de vagões por hora, o que resulta num gargalo na operação. O restante das composições é carregado de contêineres, as quais normalmente são administradas por operadores logísticos devido aos trâmites aduaneiros.
A participação das ferrovias na movimentação de carga no Porto, em 2003, atingiu índice de 16%.
Dados de 2004, as ferrovias que atendem o Porto transportavam cerca de 9 milhões de toneladas, equivalente a 13% da movimentação portuária total. Apesar de seu aumento constante desde 1998, quando a quantidade de cargas transportadas pela ferrovia era de apenas 1,6 milhão de toneladas, o transporte ferroviário ainda é reduzido em face da abrangência das malhas ferroviárias com acesso ao Porto, cuja extensão dessas ferrovias atingem uma vasta interligação que inclui as Regiões Sul, Sudeste, os Estados de Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul e o país vizinho, Bolívia.
A margem esquerda do Porto (ITAPEMA/SP) movimentava em 2004, quase 20 milhões de toneladas. A capacidade de transporte de cargas ferroviárias era de 17 milhões de toneladas anuais. A PORTOFER indica neste período que a margem esquerda trabalha com grande movimentação ferroviária de carga:
Complexo Soja e Açúcar = 5,508.000 toneladas.
Fertilizantes e Enxofre = 1,427.400 toneladas.
Contêineres = 954.000 toneladas.
Num total de 7,889.400 toneladas.
Registros da CODESP assinalam o movimento de cargas na margem esquerda itapemense do Porto, através de seus terminais marítimos, oferecendo os seguintes números:
Terminal de Fertilizantes = 2,023.408 toneladas.
Cargill = 6,143.623 toneladas.
Tecon = 8,389.966 toneladas.
Cutrale = 1,029.923 toneladas.
Dow Química = 692.931 toneladas.
Totalizando em carga 19,480.945 toneladas.                      

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